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2 de Abril de 2020

Dica de filme: O limite da traição (você não vai se arrepender de assistir)

Descubra o desfecho dessa história

Alice Aquino, Advogado
Publicado por Alice Aquino
há 2 meses

Sabe quando você assiste um filme tão maravilhoso que sente a necessidade inquietante de contar para o mundo? Estou com essa sensação a respeito do filme O limite da traição, divulgado na Netflix no dia 17 de janeiro de 2020.

Minha relação com o direito penal não é das mais apaixonantes, mas com certeza esse filme me fez relembrar o amor que tenho por filmes de suspense policial e afins.

Confira a sinopse:

Grace Waters (Crystal Fox), um pilar de longa data de sua comunidade na Virgínia, permanece forte e centrada mesmo quando seu ex se casa com a amante e seu filho vai embora de casa. Com a ajuda e suporte de sua melhor amiga Sarah (Phylicia Rashad), ela se recoloca como prioridade, e um belo estranho (Mehcad Brooks) se torna seu novo amor.
No entanto, qualquer mulher pode se irritar, e o novo marido de Grace logo destrói sua vida, seu trabalho e, ao que tudo indica, sua sanidade. Fechada em uma cela aguardando julgamento por seu assassinato, a única esperança de justiça para Grace está com Jasmine Bryant (Bresha Webb), uma inexperiente defensora pública.

Primeiramente, é MUITO BOM assistir a um filme que envolve advogados e não remete a perfeição da profissão que a série Suits prega. Muitas vezes chega a ser irritante as pessoas pensarem que o cenário de Suits poderia ser verdade.

A advogada Jasmine nos traz a lembrança do advogado recém-formado em uma universidade que não é de primeira linha, que enfrenta os problemas de quitar o crédito estudantil e trabalha na Defensoria Pública ganhando muito pouco (isso te lembrou a realidade brasileira?).

Ao ser designada para o caso mais conturbado e noticiado da cidade, Jasmine se vê em um grande quebra cabeças, que a faz repensar sua vocação para advocacia.

Quantas vezes nós não temos vontade de largar tudo e ir vender miçanga na praia literalmente? De desistir do caso porque não conseguimos achar uma solução. Jasmine prova que advocacia é feita de persistência.

Segundo, 95% do elenco é composto por negros. Por incrível que pareça o filme nos prende de uma maneira tão boa que nos esquecemos desse fato. É maravilhoso que um filme dessa categoria represente a realidade racial.

Obviamente que o filme não é perfeito, em algumas partes ele deixa a desejar, mas posso garantir que o final é surpreendente e traz um pouco de realidade.

Adorei o fato de que os personagens não são perfeitos. Jasmine como qualquer recém-formado tem medo de ir a julgamento, sempre optando por acordos. Por muitas vezes duvidava de si mesma, ouvindo seu chefe dizer que era uma profissional ruim.

Isso me faz lembrar os diversos chefes que duvidam da capacidade de seus empregados. Muitas vezes vi pessoas sendo humilhadas e outras que tinham grande potencial deixando seus sonhos de lado por conta de alguém que gosta de menosprezar os demais.

Às vezes eu me sinto um pouco Jasmine, o começo turbulento e confuso que não prevíamos, da sensação de confusão no começo da profissão. Mas quando ela descobre seu potencial...bom tem uma cena que ela prova o sabor disso (sem spoiler).

O começo da profissão é sempre difícil, Jasmine se vê perdida em um caso que a própria cliente se diz culpada, mas não há evidências de ter cometido o crime. É muito difícil no começo aprender a ouvir aquela voz da consciência do advogado que grita em nossa mente, porque não sabemos se está correto.

Quem nunca teve uma dúvida, sabia claramente a solução prática e ainda assim foi perguntar ao colega, que atire a primeira pedra 😂.

Além disso, quando Jasmine tem problemas, seu marido sempre está lá para ajudar e confortá-la. Isso lembra que nós sempre temos alguém para nos apoiar, seja nossa família ou amigos. Ter uma base é importante para manter-se focado.

Muitos críticos tem reclamado que o filme é um clichê, mas nunca assisti um filme que fosse honesto dessa forma com a advocacia. Não se trata de grandes escritórios, advogados famosos ou algo do gênero, mas sim de uma advogada da Defensoria Pública que tem o poder de mudar a vida de sua cliente. É algo muito honesto.

É um filme que vale a pena para repensar sobre confiança em si mesmo e nos outros (dica do final), persistência, vocação e perspectiva pessoal. Não é um filme apenas para criminalistas, qualquer advogado irá se identificar.

Me fez relembrar que advocacia não é composta por luxo e fama, é feita por alguém que não desiste em ajudar e lutar pelo seu cliente.

Imagens: Netflix – cenas de divulgação

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Ps: A advocacia vem sendo muito criticada e atacada aqui no Jusbrasil, as pessoas escrevem como se todos os profissionais fossem iguais e tivessem o direito de apontar o dedo para o outro. Eu realmente deixei de ligar para isso, quem valoriza meu trabalho continua comigo e sempre terá 100% dos meus esforços. Mas quando essas mesmas pessoas tem um problema, logo procuram a plataforma para tentar achar uma solução. Sabe quem escreve para o Jusbrasil em sua grande maioria? Advogados. Nós somos as pessoas autorizadas pela Constituição Federal a defender os interesses das pessoas e estudamos anos para resolver esses problemas. Sendo assim, não adianta criticar e dizer que todos são iguais, porque uma hora ou outra, um advogado pode ser a pessoa que vai fazer a diferença no seu destino, assim como no da Grace (para entender a referência assista ao filme).

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Se você assistir ou assistiu a esse filme, por favor comente abaixo e deixe sua opinião.

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58 Comentários

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Dra.

Eu já assisti e concordo contigo.

No começo fiquei meio reticente em ver, pensando que seria mais um daqueles filmes sobre tribunal americano fantasioso.... rsrs

Mas quando assisti a trama me surpreendi. Até coloquei a indicação nos stories do meu Instagram para os advogados que me seguem por lá, porque realmente vale a pena! continuar lendo

Eu nunca gosto de filmes de tribunais americanos, são muito chatos. Mas esse ganhou meu coração!

Diversos advogados indicando, resolvi assistir e já quero o 2 kkk continuar lendo

Querida Alice, adorei seu post.
Sou oriunda de faculdade de primeira linha e posso lhe garantir que isso não me trouxe benefícios que tantos pregam. Às vezes, faço muito mais esforço do que até pessoas que não são formadas nessas instituições. As coisas também são bem difíceis para mim, mais do que disseram que seriam. De qualquer maneira, meus parabéns! Você merece todo reconhecimento que está tendo. Seria muito legal se pudesse fazer um post de como escrever um post jurídico, vejo que você tem bastante visualizações, já eu tenho certa dificuldade com isso :)

Beijos! continuar lendo

Obrigada pelo comentário Nayla!

Bom acho que não sou a pessoa certa para dicas, mas com certeza sei quem é.

A Natália é A pessoa que me deu altas dicas sobre isso. Nesse artigo que ela postou tem muitas dicas boas:

https://nataliafoliveira.jusbrasil.com.br/artigos/609875096/13-dicas-essenciais-para-artigos-juridicos-na-web.

Além disso sempre é bom estudar sobre escrita e treinar muito, uma hora você pega prática. continuar lendo

Impossível não se identificar com a advogada Grace Waters, em razão de toda essa imperfeição e insegurança que o advogado iniciante tem e o advogado vivido nunca consegue superar completamente.
Não assisti totalmente, mas agora fiquei curioso. continuar lendo

Precisa assistir tudo, garanto que o final é muito bom. continuar lendo

Dra, adorei seu post! Fiquei muito instigada a assistir o filme! Depois volto aqui para contar o que achei. :) continuar lendo

Fico na espera do que achou kkk continuar lendo